8 de mar de 2014

Não? Sim!


Não, as vezes, dói.
Quando o sim se transforma em não, dói.
Quando um não torna a esperança de um tudo em nada, dói.
Quando um não silencia uma voz querida, dói.
Quando um não surpreende a presença com a falta, dói.


Mas, se um sim vira não, não quer dizer que não. Quer dizer que sim para outras coisas.
Quando um tudo vira nada, quer dizer que o nada deve se tornar em um outro tudo.
Quando um não cala uma voz, quer dizer que sim para outras vozes.
Quando a falta substitui a presença, quer dizer estar na melhor das companhias. E assim, o dissabor de um não abre caminhos para um  futuro, e saboroso, sim.



Image: Google

12 de fev de 2014

No céu

Picture: http://www.mostphotos.co
As palavras estão me faltando. 
Faltam porque os sentimentos sobram. 
Sobra sentir.
Principalmente ao olhar para o céu.
Lá em cima tudo acontece.
Tudo.
Um tudo do qual não posso tocar com as mãos, mas com o sentir.
Eu sinto quando o azul chega e quando se vai. 
Sinto quando o cinza toma conta, quando a chuva cai, e quando o Sol brilha.
Eu sinto quando as estrelas falam, quando as galáxias mostram, quando as reflexões se destrincham.
Sobra sentir.
No céu sobra. 
Na terra é diferente.
Porque os estímulos são diferentes.
Porque as pessoas são diferentes.
Porque as situações são inconstantes.
Entre terra e céu há um espaço infinito, do qual palavras são vãs.
Melhor mesmo é sentir e palpar com a imaginação.
Só mesmo a imaginação silente, para falar sobre o que acontece no céu.
Na terra as pessoas têm medo.
Têm medo de sentir, de se deixar ir, de se entregar.
O céu não se limita ao espaço, como as pessoas se limitam aos seus corpos.
Quem dera ouvíssemos mais aos pássaros.
Eles são íntimos do céu - entendem o que é ser e voar.
As vezes meu ser não cabe em mim. 
Hoje eu querida poder voar e ficar pertinho do céu.

4 de jan de 2014

Resolutions

2013 was, perhaps, the busiest year of my life! I visited 6 countries in 3 continents, I divorced, I entered into the final year of a degree. I learned analogical photography, I got back into drawing, I went to a music festival in Greece, I read extensively about art, culture, politics and economics, I changed jobs, I had my life mission reassured, I met lots of interesting people, I also met lots of stupid ones. I cried, I laughed, I stargazed, I worked a lot, I saw amazing things, and ugly ones too. I recently decided to fall in love again and if I am lucky I want to plan a family soon. When I look at 2013, I wonder how many things I’ve done and how much I have to look forward to.  My resolutions are: I feel humbly grateful; as I have never felt so connected with everything I am doing and feeling.  And instead of trying to place myself within a “market” I am slowly walking away from it, finally! There will be creative unquietness - otherwise it wouldn’t be me - but to seek solutions to empower the life of those in social disadvantage. For, I reckon, life is too short and fun to be going around circles of self-absorption. Moreover, as you journey along, you get to know yourself more, the things you feel, likes and wants – this personal relationship accounts for our very and intimate relationship with ourselves. Interestingly, the same conclusion strikes: there’s nothing more important than the values of love. So, what I wish to humanity is that we grow our understanding of the state of being in love: with ourselves, with the other, with our family and friends, with the planet.  Love is the most graceful state.


Happy New Year beloveds!

Image by: Karmadecay.com 

2013 foi, talvez , o ano mais movimentado da minha vida! Visitei 6 países em 3 continentes, me divorciei, iniciei o último de faculdade. Eu aprendi fotografia analógica, voltei a desenhar, fui a um festival de música na Grécia, li muito sobre arte, cultura, política e economia, mudei de emprego, tive minha missão de vida reassertada, conheci muitas pessoas interessantes, mas também várias estúpidas. Eu chorei, eu ri, eu sonhei. Trabalhei muito, vi coisas incríveis e feias também; e recentemente decidi me apaixonar de novo e planejar uma família. Minhas resoluções são: humildemente grata, pois nunca me senti tão conectada com tudo o que estou fazendo e sentindo. E, finalmente, em vez de tentar colocar-me dentro de um "mercado" estou caminhando lentamente para longe deles! Haverá inquietude criativa - caso contrário não seria eu -, mas com o fim de buscar soluções para melhorar a vida das pessoas em desvantagem social. Afinal, a vida é muito curta e divertida para vivê-la em auto-absorção . Além disso, a medida que caminhamos começamos a nos conhecer melhor, o que sentimos, o que queremos. Esta caminhada representa o relacionamento pessoal que temos com a vida, a nossa própria. Curiosamente, a mesma conclusão fala: não há nada mais importante do que os valores do amor. Então, o que eu desejo para a humanidade é que nós cresçamos nossa compreensão do estado de amar: a nós mesmos, os outros, a família e os amigos, o planeta. No final das contas, o amor é o maior estado de graça.

Feliz Ano Novo amados!

8 de dez de 2013

Longing

Source: (google)
We don't know why we came here,
why the heart beats on its own,
why truth has many faces;
why death came upon.

We don't know why we stargaze;
why is beauty complex?
We don't know why memories are like waves;
why do we carry a flame?

We don't know why blood is cloaked in velvet,
why the eyes are so profound.
We don't know why the scent of a rose
soothes the pain we are bound.

We know why lingering kissing is awesome,
why a tender touch strikes the skin strong,
why our bodies yearn togetherness.
why our hands are hereon.

It is impossible to breathe
It is impossible to live
It is impossible to dream
without this longing to belong.

§

Não sabemos por que viemos aqui,
Por que o coração bate sozinho no peito,
Porque a verdade tem muitos faces;
Por que a morte veio.

Não sabemos por que olhamos as estrelas;
Por que a beleza é tão complexa?
Não sabemos por que as memórias são como ondas;
Por que carregamos uma chama?

Não sabemos por que o sangue é como veludo,
Por que os olhos são tão profundos.
Não sabemos por que o perfume de uma rosa
Acalma a dor que possuímos.

Sabemos por que os beijos persistentes são impressionantes,
Porque um toque macio golpeia a pele forte,
Por que nossos corpos anseiam união.
Por que nossas mãos confortam.

É impossível respirar
É impossível viver
É impossível sonhar
Sem esse desejo de pertencer.

14 de out de 2013

Sem cessar

Esse coração não se cansa...
De andar o mundo, de viver os detalhes, sentir os cheiros, tocar as formas, beijar as faces; e tudo mais que o faz ser.

Ele também não se cansa de querer aquilo que quer. E por isso, as vezes, trava batalhas consigo mesmo, com seu outro lado. Mas o querer, quando alinhado com o ser, prevalece em paz. 

Esse coração tem sim duas vias de passagem: uma que vai e a outra que vem; uma que traz e a outra que leva. E a arte de viver com esse coração é, em verdade, a aceitação do curso dessas vias que, levando e trazendo, colaboram para o equilíbrio de ser.

Esse coração, de tão grande, aprendeu a amar tudo. Pois ele a tudo está conectado. E por isso, a cada dia, entende menos o qualquer. E bate, incansavelmente, na decisão de não querer menos do que aquilo que quer.

E assim ele segue batendo, e batendo, sem cessar...

8 de jul de 2013

Agora

É nesse agora que respiro.
Não tenho chave de casa, tampouco endereço certo.
Sinto-me leve como poeira de estrada
espalhando-se ao vento pelos pés do viajante.
Tempos incertos, mas ausente de guerras.
A alma está desperta.
Em meio a rituais urbanos
a natureza é quem me guia.
Há uma fonte que transborda.
Há uma nova arte ilustrando esse universo, abstraído de abstrações.
Há uma nova música sendo composta.
Não há idéia de tempo.
Não há volta, apenas ida.
Estou de passagem.
E nessa viagem chamada vida o destino é o amor.




14 de mar de 2013

Things words can't tell

Wearing only a white T-shirt, she comes into the room and sits on the floor.

The night comes into the room. And through the window, a breeze of sameness enters room, which she refuses to breathe.

He's sat on a chair, reading a book. Slowly, his left foot stretches to touch her ankle. He closes the book and says: "You deserve being loved; I love you"

"Don't be a fool, words don't do to me in this matter anymore" - she replies, while scribbling something on a pad, without looking at him.

"Do you see this?"  - she lifts the notepad  - "This is not love but abstractions"

Placing the notepad back on the floor, she continues scribbling. The tip of the pencil breaks.

"Have you noticed I don't really say "I love you"?  - She postulates.
"Love is neither a word, nor a feeling one can apprehend in a piece of paper"
"Love is a way of life"
"A verb, an action, which can only be realised when it impregnates the senses; so deeply the body can only speak the language of its own experience"

Standing up, she takes off her T-shirt. Her body reflects the night light coming through the window. She stands in front of him. She grabs his right hand and place it on her left thigh: "Can words express touch? Smell? Pain? Desire? Taste?" - "No matter how much we strive for we will never find words to convey Love, because we are yet to know what Love is."

She walks away from him.

Bending down, she grabs the pad from the floor, and rip off the paper from the pad: "Love cannot be written. We don't know what love is. Look at the world, do you think we know what love is?"