22 de mar de 2012

Estações da vida


Os ciclos de tranformação pelo qual passamos ao longo de nossas vidas em muito se assemelham aos ciclos de transformação das plantas, com a exceção de que não aceitamos certas coisas tão facilmente, como as plantas aceitam. As raízes nutrem e impulsionam o caule para fora, fazendo-o crescer; as folhas captam a energia necessária para transformação e síntese de nutrientes. No fruto, se replica, emana. Mas existe um tempo em que o fruto perde a cor, o gosto, a forma; é comido por insetos. Nesse tempo o fruto precisa cair. Então ele retornará à terra para se (de)compor.

As plantas não olham para traz. Seguem seu ciclo de vida, quase que com a certeza de que está tudo absolutamente certo. Nós, seres humanos, analisamos, ponderamos e decidimos se queremos ir para direita ou para esquerda; ficar parado ou agir. A gente sente quando poderia ter feito mais, se dado mais ou de menos para determinadas situações. Que benção tal faculdade! Contudo, não basta apenas ser consciente do nosso poder de escolha. É preciso trabalho para que haja síntese de sentimentos destinados à nutrição da alma. Também, tão importante quanto a síntese de nutrientes é saber o tempo certo de deixar o fruto podre cair na terra, sem dramas; fruto estragado, se não cai para alimentar a terra, atrai aves de rapina e contamina o resto.

Uma estação nada mais é que um perene de fenômenos que logo - devido à constância da vida - se transformará novamente; e assim como chega para as plantas chega para nós também. Idéias que outrora fruto agora precisam cair, para que algo novo nasça; como talentos deixados de lado, clareza para decisões não tomadas, coragem para atitudes adiadas. O tempo de despir-se do velho, de deixar o fruto podre cair na terra, e permitir que o coração seja o guia chega, a cada respiração, para todos. E tudo aquilo que deixarmos ser levado embora abrirá espaço para mais um novo ciclo de renovação que irá realimentar e florir nossa alma.

Texto publicado no jornal Brazilian News, o jornal da comunidade brasileira em Londres, nº533,  edição 2 a 8 de Agosto de 2012 pág.18. 

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