28 de set de 2010

Ainda ontem


Ainda ontem, eu não tinha notado que a minha realidade é um espelho. E espelhos se quebram. Entretanto, mesmo que a realidade esteja em cacos, devo me ouvir e me olhar nos olhos; perceber quem realmente sou, ser verdadeira comigo mesma. 

Ainda ontem, eu me lembrava e tentava me enganar. Hoje não quero mais mentir para mim mesma; quero fechar velhas portas e janelas. Quem sabe não foram elas que me trouxeram esse limiar; portas que não bati, janelas que não fechei, fendas que não tapei. Por querer tudo; tudo de mim, de você, do universo. Não há nada errado com o querer; sem ele não se chega a lugar algum. Mas querer demais do outro pode ser um fardo pesado.

Ainda ontem, eu queria ter o controle de tudo. Me pus a caminhar por longas estradas como a promessa que nunca chega, pisando em pedras; como os desejos que não se realizam. Caminhos nublados por regras e paradigmas que só plantam o medo e a limitação de ser o que se quer, ser.

Ainda ontem eu pensava que sabia de tudo, hoje eu sei que saber de tudo é não saber de nada. Não há o que saber, mas vivenciar e sentir. Disso vem a verdadeira sabedoria, da experiência e não dos livros, somente.

Ainda ontem, eu olhava para trás tentando ver no passado esperanças para o futuro; e assim me apegava em alheias verdades. Agora eu falo do meu presente que é a minha verdade; o passado ficou para trás, não se muda o que passou. E se pretendo lágrimas chorar que seja para regar as flores do meu agora, e um futuro que incondicionalmente chegará. 

Ainda ontem, minha voz soava fraca, insegura, voz de quem não quer ver. Agora eu falo e me escuto, sem medo de me ater a mim mesma, às minhas idéias, aos meus dilemas que mesmo cheios de incógnitas carregam as minhas respostas.

Ainda ontem eu me julgava, me apontava o dedo na fúria do erro que não quiz cometer. Eu pergunto: o que é certo para você é certo para mim?  O certo é tudo! Tudo aquilo que você, naquele exato momento, decide compreender e aceitar, sem ninguém à tua mente manipular. 

Ainda ontem, eu queria achar no outro uma fonte de equilíbrio para meus vícios. Sim, temos mais vícios do que nossa empáfia nos permite perceber. Esses vícios nos levam a dependência do externo, do outro. Mas afinal, o que são os vícios senão nossa energia mais preciosa sendo mal aproveitada?

Ainda ontem, eu não ouvia meu coração, deixava essa missão para os outros também. Percebo que esse é um fardo pesado demais para se exigir do semelhante. Ser irmão é não cobrar mas dividir a carga. É dar liberdade, é amar sem pedir. Mas ontem ficou para trás. E agora, todos os meus pedidos se resumem em um só: que o meu conviver seja amor. É só disso que preciso. O resto é secundário.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossa Gi! Demais!

Anete Matos disse...

Gi, como sempre amei...