8 de mar. de 2014

Não? Sim!


Não, as vezes, dói.
Quando o sim se transforma em não, dói.
Quando um não torna a esperança de um tudo em nada, dói.
Quando um não silencia uma voz querida, dói.
Quando um não surpreende a presença com a falta, dói.


Mas, se um sim vira não, não quer dizer que não. Quer dizer que sim para outras coisas.
Quando um tudo vira nada, quer dizer que o nada deve se tornar em um outro tudo.
Quando um não cala uma voz, quer dizer que sim para outras vozes.
Quando a falta substitui a presença, quer dizer estar na melhor das companhias. E assim, o dissabor de um não abre caminhos para um  futuro, e saboroso, sim.



Image: Google

12 de fev. de 2014

No céu

Picture: http://www.mostphotos.co
As palavras estão me faltando. 
Faltam porque os sentimentos sobram. 
Sobra sentir.
Principalmente ao olhar para o céu.
Lá em cima tudo acontece.
Tudo.
Um tudo do qual não posso tocar com as mãos, mas com o sentir.
Eu sinto quando o azul chega e quando se vai. 
Sinto quando o cinza toma conta, quando a chuva cai, e quando o Sol brilha.
Eu sinto quando as estrelas falam, quando as galáxias mostram, quando as reflexões se destrincham.
Sobra sentir.
No céu sobra. 
Na terra é diferente.
Porque os estímulos são diferentes.
Porque as pessoas são diferentes.
Porque as situações são inconstantes.
Entre terra e céu há um espaço infinito, do qual palavras são vãs.
Melhor mesmo é sentir e palpar com a imaginação.
Só mesmo a imaginação silente, para falar sobre o que acontece no céu.
Na terra as pessoas têm medo.
Têm medo de sentir, de se deixar ir, de se entregar.
O céu não se limita ao espaço, como as pessoas se limitam aos seus corpos.
Quem dera ouvíssemos mais aos pássaros.
Eles são íntimos do céu - entendem o que é ser e voar.
As vezes meu ser não cabe em mim. 
Hoje eu querida poder voar e ficar pertinho do céu.

4 de jan. de 2014

Resolutions

2013 was, perhaps, the busiest year of my life! I visited 6 countries in 3 continents, I divorced, I entered into the final year of a degree. I learned analogical photography, I got back into drawing, I went to a music festival in Greece, I read extensively about art, culture, politics and economics, I changed jobs, I had my life mission reassured, I met lots of interesting people, I also met lots of stupid ones. I cried, I laughed, I stargazed, I worked a lot, I saw amazing things, and ugly ones too. I recently decided to fall in love again and if I am lucky I want to plan a family soon. When I look at 2013, I wonder how many things I’ve done and how much I have to look forward to.  My resolutions are: I feel humbly grateful; as I have never felt so connected with everything I am doing and feeling.  And instead of trying to place myself within a “market” I am slowly walking away from it, finally! There will be creative unquietness - otherwise it wouldn’t be me - but to seek solutions to empower the life of those in social disadvantage. For, I reckon, life is too short and fun to be going around circles of self-absorption. Moreover, as you journey along, you get to know yourself more, the things you feel, likes and wants – this personal relationship accounts for our very and intimate relationship with ourselves. Interestingly, the same conclusion strikes: there’s nothing more important than the values of love. So, what I wish to humanity is that we grow our understanding of the state of being in love: with ourselves, with the other, with our family and friends, with the planet.  Love is the most graceful state.


Happy New Year beloveds!

Image by: Karmadecay.com 

2013 foi, talvez , o ano mais movimentado da minha vida! Visitei 6 países em 3 continentes, me divorciei, iniciei o último de faculdade. Eu aprendi fotografia analógica, voltei a desenhar, fui a um festival de música na Grécia, li muito sobre arte, cultura, política e economia, mudei de emprego, tive minha missão de vida reassertada, conheci muitas pessoas interessantes, mas também várias estúpidas. Eu chorei, eu ri, eu sonhei. Trabalhei muito, vi coisas incríveis e feias também; e recentemente decidi me apaixonar de novo e planejar uma família. Minhas resoluções são: humildemente grata, pois nunca me senti tão conectada com tudo o que estou fazendo e sentindo. E, finalmente, em vez de tentar colocar-me dentro de um "mercado" estou caminhando lentamente para longe deles! Haverá inquietude criativa - caso contrário não seria eu -, mas com o fim de buscar soluções para melhorar a vida das pessoas em desvantagem social. Afinal, a vida é muito curta e divertida para vivê-la em auto-absorção . Além disso, a medida que caminhamos começamos a nos conhecer melhor, o que sentimos, o que queremos. Esta caminhada representa o relacionamento pessoal que temos com a vida, a nossa própria. Curiosamente, a mesma conclusão fala: não há nada mais importante do que os valores do amor. Então, o que eu desejo para a humanidade é que nós cresçamos nossa compreensão do estado de amar: a nós mesmos, os outros, a família e os amigos, o planeta. No final das contas, o amor é o maior estado de graça.

Feliz Ano Novo amados!

8 de dez. de 2013

Longing

Source: (google)
We don't know why we came here,
why the heart beats on its own,
why truth has many faces;
why death came upon.

We don't know why we stargaze;
why is beauty complex?
We don't know why memories are like waves;
why do we carry a flame?

We don't know why blood is cloaked in velvet,
why the eyes are so profound.
We don't know why the scent of a rose
soothes the pain we are bound.

We know why lingering kissing is awesome,
why a tender touch strikes the skin strong,
why our bodies yearn togetherness.
why our hands are hereon.

It is impossible to breathe
It is impossible to live
It is impossible to dream
without this longing to belong.

§

Não sabemos por que viemos aqui,
Por que o coração bate sozinho no peito,
Porque a verdade tem muitos faces;
Por que a morte veio.

Não sabemos por que olhamos as estrelas;
Por que a beleza é tão complexa?
Não sabemos por que as memórias são como ondas;
Por que carregamos uma chama?

Não sabemos por que o sangue é como veludo,
Por que os olhos são tão profundos.
Não sabemos por que o perfume de uma rosa
Acalma a dor que possuímos.

Sabemos por que os beijos persistentes são impressionantes,
Porque um toque macio golpeia a pele forte,
Por que nossos corpos anseiam união.
Por que nossas mãos confortam.

É impossível respirar
É impossível viver
É impossível sonhar
Sem esse desejo de pertencer.

14 de out. de 2013

Sem cessar

Esse coração não se cansa...
De andar o mundo, de viver os detalhes, sentir os cheiros, tocar as formas, beijar as faces; e tudo mais que o faz ser.

Ele também não se cansa de querer aquilo que quer. E por isso, as vezes, trava batalhas consigo mesmo, com seu outro lado. Mas o querer, quando alinhado com o ser, prevalece em paz. 

Esse coração tem sim duas vias de passagem: uma que vai e a outra que vem; uma que traz e a outra que leva. E a arte de viver com esse coração é, em verdade, a aceitação do curso dessas vias que, levando e trazendo, colaboram para o equilíbrio de ser.

Esse coração, de tão grande, aprendeu a amar tudo. Pois ele a tudo está conectado. E por isso, a cada dia, entende menos o qualquer. E bate, incansavelmente, na decisão de não querer menos do que aquilo que quer.

E assim ele segue batendo, e batendo, sem cessar...

8 de jul. de 2013

Agora

É nesse agora que respiro.
Não tenho chave de casa, tampouco endereço certo.
Sinto-me leve como poeira de estrada
espalhando-se ao vento pelos pés do viajante.
Tempos incertos, mas ausente de guerras.
A alma está desperta.
Em meio a rituais urbanos
a natureza é quem me guia.
Há uma fonte que transborda.
Há uma nova arte ilustrando esse universo, abstraído de abstrações.
Há uma nova música sendo composta.
Não há idéia de tempo.
Não há volta, apenas ida.
Estou de passagem.
E nessa viagem chamada vida o destino é o amor.




14 de mar. de 2013

Things words can't tell

Wearing only a white T-shirt, she comes into the room and sits on the floor.

The night comes into the room. And through the window, a breeze of sameness enters room, which she refuses to breathe.

He's sat on a chair, reading a book. Slowly, his left foot stretches to touch her ankle. He closes the book and says: "You deserve being loved; I love you"

"Don't be a fool, words don't do to me in this matter anymore" - she replies, while scribbling something on a pad, without looking at him.

"Do you see this?"  - she lifts the notepad  - "This is not love but abstractions"

Placing the notepad back on the floor, she continues scribbling. The tip of the pencil breaks.

"Have you noticed I don't really say "I love you"?  - She postulates.
"Love is neither a word, nor a feeling one can apprehend in a piece of paper"
"Love is a way of life"
"A verb, an action, which can only be realised when it impregnates the senses; so deeply the body can only speak the language of its own experience"

Standing up, she takes off her T-shirt. Her body reflects the night light coming through the window. She stands in front of him. She grabs his right hand and place it on her left thigh: "Can words express touch? Smell? Pain? Desire? Taste?" - "No matter how much we strive for we will never find words to convey Love, because we are yet to know what Love is."

She walks away from him.

Bending down, she grabs the pad from the floor, and rip off the paper from the pad: "Love cannot be written. We don't know what love is. Look at the world, do you think we know what love is?"

4 de dez. de 2012

História mal contada



"É certo, Príncipes Soberanos, que onde há tais terras devem existir inúmeras coisas de valor (...) dos índios que tenho comigo entendo uma coisa por outra, e não tenho grande confiança porque muitas vezes tentam fugir. Mas agora, para agradar nosso Senhor, farei o máximo para gradualmente entender mais desta linguagem, que percebo ser uma só até agora. E depois, os benefícios se tornarão conhecidos e esforço será feito para que todos sejam catequizados (...) E Vossa Alteza terá uma cidade e uma fortaleza construídas por estas bandas, e essas terras serão convertidas para Vosso benefício"(Fragmento do diário de Colombo, em sua primeira viagem às Américas - 1492)

Desde as primeiras viagens de descobrimento o fenômeno da integração global teve início. O mito por trás da imagem acima data mais de seis séculos, mas ainda conta a história sobre como as estruturas sociais foram criadas com base na idéia de catequização, ou seja, imposição de valores como sinônimo de integração, e desenvolvimento como condição de um progresso desumano. Apesar da globalização ter como idéia fundamental a integração humana, a mesma não passa de uma simples continuação de um longo processo histórico de expansão imperialista, com vistas coloniais hegemônicas. Ou seja, a imposição dos valores ocidentais sobre culturas tidas como "primitivas" e involuidas.

O que o mundo está vivendo hoje, a partir de uma perspectiva geral, é a intensificação das relações humanas através do desenvolvimento tecnológico e da interdependência econômica. Entretanto, é importante salientar que a globalização é um processo desigual. Além disso, a sociedade global está entrelaçada em um sistema capitalista monetário onde a dominação encontra suas formas através do controle de remotas partes do mundo, por emprego de mão de obra barata para sustentar impérios corporativos. 

Considerando o número de sociedades que desapareceram como conseqüência da hegemonia imperial, isso claramente aponta para a forma como o fenômeno multifacetado da globalização, que remonta a modernidade, não é apenas a homogenização da cultura, mas também o de privar indivíduos de uma escolha consciente na participação de sua evolução cultural, uma vez que são obrigados a aceitar valores que não são seus. Vale a pena mencionar que o comportamento - um fenômeno humano altamente ditado pela cultura - como proposto pela antropóloga Margaret Mead, é aprendido e transmitido pela cultura local. Assim, o processo de culturalização toma forma não mais como um conjunto de valores transmitidos, mas sim como um produto no qual os indivíduos geralmente adquirem através de tendências globalizadas. 

Com isso, os fluxos de uma cultura global fundamentada no consumismo cria clientes para os mesmos bens, serviços, e padrões mentais. Não é segredo como a cultura ocidental teve seus valores empurrados em distantes e exóticas sociedades através do processo colonial, aniquilando por completo identidades locais, substituindo-as por valores padronizados. Por isso, o que está acontecendo não é um consciente e igual progresso, onde a diversificação cultural de diferentes origens são dadas as mesmas chances de serem quem são e viver a vida como querem. Mas sim um processo de tirania cultural e padronização, onde aqueles com maior poder econômico ditam como as pessoas de mais baixa ordem social devem viver suas vidas, se comportar, e consumir. 

Não devemos esquecer das verdadeiras forças por trás do fenômeno da globalização, capitalizada na servidão, mesmo quando se impõe através de um sistema de mérito. Por essas e outras razões, os laços entre a cultura e o local estão ficando cada vez mais fracos. Apesar de se apresentar com unicidade e integridade, a realidade que vem sendo construída está cada vez mais fragmentada. A pergunta que devemos fazer a nós mesmos, portanto, não é se a globalização leva à homogenização da cultura, pois para isso já temos a resposta. Mas sim como as culturas de menor proporção podem conseguir sobreviver para as futuras gerações. Afinal um mundo onde a igualdade opera em nível ideológico só poderá dar vazão para uma diferenciação social ecômica. E isso nós já sabemos onde termina... guerra.

29 de out. de 2012

Nada a perder


O mito da liberdade continua sendo o slogan preferido dos partidos políticos, das tendências da moda, dos conceitos publicitários, da tecnologia, das religões e dos relacionamentos. Mas na prática, infelizmente, a contra-adição quanto ao que "ser livre" significa é evidente. Ela, a liberdade, bradada por profetas milenares e heróis políticos não passa de uma ideologia. E enquanto existir nos reinos abstratos da mente humana não deixará de ser uma utopia. Para a sociedade moderna tudo começou, aparentemente, com o triunfo de uma economia baseada no mercado livre, a fim de limitar o poder do Estado. A partir daí, a fantasia de uma "sociedade" habitada por indivíduos livres se tornaria, finalmente, realidade. Mas na verdade, o que acontece é o oposto. 

Nunca fomos tão dependentes como hoje. No entanto, a idéia dominante de que, de fato, somos livres prevalece explícita. Por isso, a sociedade contemporânea parece experimentar uma ilusão libertária onde não só os governos, mas todas as formas de poder, agem constantemente para favorecer as suas próprias agendas. Segundo o economista James Buchanan, conselheiro político do governo Thatcher, contar com o interesse dos políticos não é suficiente para promover a liberdade, "pois no coração do homem encontra-se um modelo de comportamento paranóico e provido de medo, onde a elaboração de estratégias em favor de seus próprios interesses sempre prevalescerá". Não foi mera coincidência o fato da "sociedade" libertária de Thatcher, e outros defensores do atual sistema, ter se tornado insegura e problematizada; acorrentada a um sistema de risco. 

Não é mais novidade o fato "da mão invisível'' mencionada por Adam Smith, o pai da economia como disciplina científica, ter se tornado uma das maiores falácias da história. Apesar de ter a idéia de liberdade como a ideologia central de suas proposições progressistas, a liberdade progrediu como previlégio para uma minoria endinheirada. Não porque eram mais inteligentes mas porque, como a maioria prefere deixar de lado, o sistema econômico que habitamos é sustentado por trabalho escravo. Há quem defenda o atual sistema com unhas e dentes; geralmente aqueles que ainda estão por entender o que a palavra ética significa, e que ainda não se deram conta que, os mesmos, tem suas mentes subjugadas. 

A liberdade continua sendo um produto sedutor. Talvez seja essa a razão pela qual a mesma resultara na prisão moral do qual indivíduos, subjugados, não têm outra escolha a não ser obedecer. Ou seja, o caminho para a liberdade oferecida nas farmácias neoliberais nada mais é que a liberdade de construir a nossa própria prisão. Agora, confinados em um serviço impessoal regido por máquinas, um mercado impulsionado pelo lucro e, consequentemente, pela dívida, as pessoas se isolam mais e mais dentro de seus próprios mundos e prisões pessoais. Onde o individualismo exarcebado brada seu grito egóico de misericórdia proveniente dos lábios de uma liberdade cega. Onde, na melhor das hipóteses, indivíduos podem escapar tais prisões pelas mãos frias e imorais do consumismo; contruindo, assim, identidades artificiais. 

A liberdade, seja ela o que for, não deve ser "um estilo decadente onde tudo é sacrificado para o desenvolvimento de peças individuais". Como disse Karl Marx "nada temos a perder a não ser nossas próprias algemas". O importante é saber que o que enfrentamos não é uma marcha para a liberdade, mas um dilema ideológico. Ademais, sabemos muito bem como as ideologias trabalham sorrateiramente nas mentes; procurando impor o seu significado enquanto manipulam as pessoas. Por isso, o fato de sermos encorajados, constantemente, à liberdade está longe de nos tornar, de fato, livres. E o que é a liberdade se não uma ideologia pregada para manter soldados em campo de batalha, por uma causa que muitas vezes interessa apenas interesses tiranos? Nossos objetos já foram timbrados, nossos corpos codificados, mas ainda podemos manter uma mente autêntica; é por isso que devemos questionar tudo, sempre. E só assim poderemos então descobrir o verdadeiro significado dessa palavra; e mais ainda, vivenciá-la.

17 de out. de 2012

Próxima parada: Vida!

Não saber para onde ir, para onde olhar, o que fazer e o que falar. Há esses momentos... Sem pé nem cabeça; momentos insólitos dos quais não se vê aquele ponto para se agarrar. E esse não saber nos deixa como crianças sentidas de um castigo.

Não é nada fácil aceitar que não se sabe. É mais fácil ir pelo lado da arrogância e da pretensão, como se soubéssemos o caminho de cor e salteado.  E nessa hora a vida vem e diz: _Ei você! Que acha que sabe o que está fazendo; é você mesmo! Daí paramos, desconfiados, na tentativa de dar aquela saidinha  friamente calculada à francesa, pela porta dos fundos, como se ninguém estivesse vendo.

Viver por instinto é aceitar os involuntários da vida; o que na prática é outra história. Não é a história de quem sabe, tampouco de quem pensa que sabe.  Viver por instinto é essa força estranha aqui dentro; por vezes clara como a luz do dia, outras escura como a  própria sombra. Há momentos que essa força diz ser melhor que não saibamos mesmo para onde ir, para onde olhar, o que fazer e o que falar. Pois é nessa hora, quando ficamos parados no meio do caminho; é nessa hora que ela nos convida a seguir o instinto involuntário do coração. Sem cálculos frios e saídas pretenciosas, mas sim olhar a vida nos olhos. 

23 de set. de 2012

Identidade não tem idade


A sociedade ocidental, desde antes do Iluminismo, vem equipando indivíduos com inúmeras maneiras para a construção de suas noções de si mesmos. Inverdade seria dizer que a sociedade moderna não tenha se tornado obcecada pela idéia de "identidade" quando o mecanismo que move o sistema gira em torno da constante construção do eu. Que possuímos inúmeros modelos e tendências de persona não é, de fato, novidade. O fato é que a epigênese da identidade humana continua sendo disputada por várias correntes de pensamento. Os ciêntistas sociais afirmam que a pessoa é um produto social, pois o mesmo adquire identidade à partir da experiência e incorporação dos papéis sociais.

Entretanto, as ciências cognitivas afirmam que o cerne de quem somos reside unicamente em nossos genes e que tudo o que podemos fazer é apenas transformar aquilo que já somos. De fato a ciência cognitva dá prova sobre o papel desempenhado pelos nossos genes no processo da construção da identidade humana, mas uma coisa é certa ela não é ausente de práticas culturais. Pois se fosse é certo que seríamos completamente desprovidos de originalidade.

Apesar do fato de que não se deve ignorar o papel de nossas células na determinação de quem somos, nossas concepções aparentemente naturais e auto-evidente de nossos egos são, na verdade, artefatos de uma longa e variada história social. O filósofo americano George Herbert Mead afirmou que "o eu é algo em constante desenvolvimento; que não está inicialmente lá, no nascimento, mas surge no processo da experiência social". De alguma forma, apesar da capacidade mental inata do ser humano, o ambiente e a cultura do qual o mesmo está inserido ultrapassa o processo cognitivo, influenciando assim de forma mais impactante o indivíduo - deste modo pensava um dos psicólogos mais eminentes no estudo do desenvolvimento da personalidade humana, o russo Lev Vygotsky. 

Um texto rosacrucianista que li outro dia dizia que "há grande tendência em admitir que tudo é resultado de qualquer coisa pré-existente. Isso, todavia, constitui grande equívoco e desconhecimento das leis que regem a evolução em todos os níveis. Pois se assim fosse a Terra seria um painel por demais monótono e desolador, habitada por seres estereotipados, como que saídos de uma linha de montagem de uma indústria" - qualquer semelhança não é mera coincidência, que o diga os cabeças da engenharia social. Nascemos capazes, aprendemos a ser aquilo que somos através daquilo que decidimos acreditar e atribuir valor. Por isso, mais do que nunca, é preciso observar com mais cuidado aquilo que entra tanto quanto o que sai.

24 de jul. de 2012

Comece pequeno


A sociedade é uma teia de conexões, governada por todos aqueles que têm poder - todos. Não se pode, nem se deve, discutir ou analisar qualquer estrutura social desconsiderando as relações de poder. Poder, seja ele legitimado ou não,  na maioria das vezes, envolverá processos onde o interesse de uns será favorecido sobre o de outros, onde muitas vezes o infortúnio será perpetuado. Essas relações se manifestam não só na política mas no ambiente profissional, dentro de nossas próprias casas, dentro de nós mesmos. O poder se manifesta na sociedade como relação dominante, em interação com o ambiente em que estamos integrados. Na verdade, é nossa vontade (livre arbítrio) quem o pratica. Se bem nos lembrarmos, esse foi o primeiro 'direito', de acordo com várias escrituras sagradas, ofertado por Deus ao homem. 

Muitas pessoas pensam que o poder é um problema, e que deve ser abolido. Acontece que ignorar essa qualidade é fragmentar a alma humana, tanto essas relações representam para nossa natureza. O poder não é o problema, o problema é como fazemos uso dele no dia-a-dia. Todo mundo tem uma quantidade de poder (energia) nas mãos: seja para fazer bem ou mau. Talvez, antes de esquecer a capacidade de usar nossa preciosa energia deveríamos entender como usá-la melhor. Aqui, chegamos ao velho paradoxo político  de "quem deve  se beneficiar nessas relações?" Um ponto de partida para responder essa pergunta seria mudar o padrão de mente para “aqueles que precisam mais". Mas se fizermos isso, chegamos ao dilema de “como julgar com justiça quem são os mais necessitados?” Neste momento, quando me sinto tão pequena frente a essas grandes questões me volto para aqueles perto do coração, e começo pequeno.

Infelizmente, ainda não há evidências empíricas sobre como começar pequeno, mas a experiência de gente como toda a gente; que questiona a si mesmo, e ao sistema, no intuito de descobrirem quem são de verdade, e se estão fazendo aquilo que realmente deveriam com a energia que possuem nas mãos. Gente que apesar dos grandes obstáculos, das perdas e da injustiça não perde a fé, nem a coragem de acreditar que o poder que cada um de nós possui, independente do status de grande ou pequeno, pode ser usado de forma sábia.  

Texto publicado no jornal Brazilian News, o jornal da comunidade brasileira em Londres, nº532 edição 26 de julho a 1º de Agosto de 2012, pág.18. 

9 de jun. de 2012

Até que ponto ser normal é normal?


Estudiosos do comportamento humano afirmam que o mesmo vem sofrendo de normose, a doença de “ser normal”. A enfermidade instalara-se no sistema social globalizado muito antes do que a maioria pensa. E ao contrário das demais doenças, das quais queremos distância, as massas têm trabalhado incansavelmente para contrair normose, ou se encaixar no tal padrão de normalidade.  No entanto, o sujeito tem que se desdobrar para se enquadrar nos tais padrões, que não são nada fáceis. No mínimo, ele(a) vai precisar ser esbelta, ter sorriso clareado, sociável e bem sucedido(a). Mas, as exigências não param por aí; para adquirir a tal normose é preciso ter muito talento afinal o segredo do negócio é ser competitivo, o melhor.
Os conceitos de normalidade estão intimamente ligados com a forma em que o sistema constrói a identidade das pessoas. A normose, que desenvolvida para ordenar a sociedade acabou mutando, tomando forma material. Agora, ela adentra nossas vidas através de produtos e práticas que promentem felicidade. Entretanto, de onde vêm esses produtos com promessas mirabolantes, oferecendo uma realidade ilusória? Já percebeu que quando a gente compra um produto compramos, na realidade, o bem estar que nossa crença atribui àquele produto?
É muito importante prestarmos àtenção em tais ''conceitos de normalidade'', e em como eles tomam forma material em nosso dia-a-dia. Eu falo da imagem perfeita, o insano mundo fashion, e todas as outras sandices consumistas geradoras de toneladas de desperdícios que aparentemente o ser humano tem dificuldade de perceber, já que a normose tomou conta de sua psique em níveis bem mais profundos do que o próprio consegue se dar por conta.
Continuo a perguntar: quem são esses (produtos) que permitimos adentrar nossa casa, nosso corpo, nossa mente; ditando nossa forma de falar, de perceber o mundo, vestir, comer, professar nossa fé, e até sentir? Chegou a hora de realmente questionarmos esses padrões e pensar até que ponto o que está contido nessas “embalagens” pode trazer aquilo que realmente buscamos. De fato, a questão é entender o que nos motiva a querer se encaixar em padrões que não são nossos. 
Um pouco de bom senso basta para percebermos que vivemos em um mundo em que o materialismo reina, e para isso mudar precisamos transformar nossos conceitos, em primeiro lugar a respeito de nós mesmos. Ademais, entender também o que nos leva à compra de ideologias alheias, as levarmos para dentro de nossas vidas, e permitirmos o controle da maior dádiva que nos foi dada pela vida - o livre arbítrio. Está na hora de descobrir quem realmente somos para sermos, então, mais originais. Ainda bem que personalidades como, por exemplo, Jesus Cristo, Joana D'Arc, Gandhi, Madre Teresa, Chico Xavier, Noam Chomsky, entre outros tantos(as) decidiram por não seguir os padrões de sua época. Ao contrário, desafiaram os “normais” de seu tempo, e assim, acrescentaram para o mundo.
    Adiante, o maior dos efeitos colaterais da normose é a dependência, ou seja, condicionamentos. É um precisar disso para fazer aquilo, ou sem isso não sou aquilo, serei feliz apenas quando conseguir aquilo outro, etc. A normose limita a visão, propaga o desmerecimento do ser quando todos, exatamente todos nós somos merecedores dos prazeres terrenos e divinos, se realmente os conquistarmos com honestidade e respeito ao próximo.
     Em suma, receita para o auto-conhecimento não existe. Isso é um estilo de vida, que quando compreendido através da experiência individual de cada um, e posto em prática, nos torna seres mais originais. Seja autêntico, não tenha medo de ousar, não se rotule! Não condicione a sua plenitude de vida, tampouco a tão preciosa 'salvação' de sua alma à regras de outros seres humanos que são iguais a você, confie na sua intuição e na sua capacidade. É preciso tomar cuidado para que não nos transformemos em marionetes; desfrutar do que o mundo tem de bom sim, ser escravo da ideologia materialista não! Se existe algum padrão a ser praticado, que seja o padrão do Amor!

Texto publicado no jornal Brazilian News, o jornal da comunidade brasileira em Londres, nº527 edição 21 a 27 de junho de 2012, pág.24.

31 de mai. de 2012

Percepção em cápsula


É através da percepção que assimilamos a nós mesmos, e o mundo a nossa volta. Jean Jacques Rousseau ao dizer que "o primeiro raciocínio do homem é de natureza sensitiva; os nossos primeiros mestres de filosofia são os nossos pés, as nossas mãos, os nossos olhos" sabia que a percepção era a porta para o conhecimento. Acontece que estar entretido se tornou característica do homem civilizado. Quantas vezes conversamos com alguém e não ouvimos, olhamos e não vemos, caminhamos e não percebemos o que há no caminho; esses despercebidos detalhes podem vir à ser sábios insights para muitas de nossas questões. Não fosse pela percepção não poderíamos atribuir significado à experiência, isto é, ao fenômeno vivido. Com efeito, o comportamento do ser humano é grandemente influenciado pela interpretação que faz daquilo que vive. E apesar da semelhança genética da qual dividimos a percepção do mundo é diferente para cada um; cada pessoa percebe um objeto ou uma situação de acordo com os aspectos que tem importância para si. Assim, mediante nossa capacidade de perceber a nós mesmos, e o meio em que vivemos, padrões de comportamento são reafirmados ou deixados de lado.

Considerando o ser humano contemporâneo mais parece que a percepção de si, e do meio, ainda é por demais restrita. Acabamos por nos ater a uma mentalidade que busca o lógico e o seguro. Nos tornamos extremamente inteligentes, analíticos e criativos; expressamos aquilo que pensamos como nunca. Entretanto, uma guerra desenfreada por “sentido” se instalara, e engana-se àquele que pensa que essa guerra acontece apenas nas mentres dos fundamentalistas. Nunca estivemos tão "evoluídos" e, no entanto, com a psique tão afetada pela falta de percepção; já mostram as estatísticas sobre o alto número de dependentes de remédios contra depressão - o mal da falta de sentido. Por aprendermos do individualismo exacerbado, slogan da revolução do pensamento liberalista, nos tornamos entorpecidos pela própria imagem, como Narciso. Ou teríamos nós “despercebido” as palavras de Karl Marx onde o mesmo adverte que a condição para a emancipação do ser humano, de acordo com o capitalismo, custaria nossa percepção? Indiferente do slogan político da qual nossa sociedade está contida uma coisa é certa: não precisamos de um mundo novo, mas sim de uma nova visão do mundo. 

É preciso olhos profundos, olhos que desaguam na alma, e verás o que ninguém vê.

Texto publicado na edição 530, julho de 2012 no Jornal http://braziliannews.uk.com/

2 de mai. de 2012

Life's unfolding

Life's unfolding is a wonder
behold everywhere I look.
Its colours, textures and forms
dispersed by hidden forces
delineating a moment of being.
Avid, setting of feelings
embracing all it sees.
And so its movement portrays
a never ending story;
that of the infinite.



O desdobramento da vida é uma maravilha
eis que o vejo onde quer que eu olhe.
Suas cores, texturas e formas
dispersos por forças ocultas
delineando o momento de ser.
Ávido, desencadeando sentimentos,
abraçando a tudo o que vê.
E assim seu movimento retrata
uma história sem fim;
a do infinito.



30 de abr. de 2012

Hora de catar o lixo

    Não poderia deixar de falar de um documentário que assisti essa semana chamado Wasteland (2010) (Lixo Estraordinário). Wasteland aborda um tema por demais relevante não só para o principal protagonista, o mestre em arte moderna Vik Muniz, mas para toda a raça humana. O paulistano foi morar em Nova York em 1983. A viajem foi resultado de uma indenização que Vik recebeu por ter sido baleado injustamente. Vik teve seu trabalho reconhecido devido à forma original com que manipula matérias inusitadas em suas obras como o açúcar, catchup, chocolate e até a manteiga. Mas, foram seus retratos feitos com lixo que o canonizou. O documentário, gravado no então maior aterro de lixo do mundo durante 2 anos (agosto de 2007 a maio de 2009), no Gramacho Rio de Janeiro, narra em ação um grande exemplo para a sociedade - a vontade de viver de indivíduos sem nenhuma identidade social - os catadores de lixo do aterro.

Vik superou as expectativas, mexeu com o brio daqueles que ignoram o problema, tocou o coração dos que se importam. Não poderia ter sido diferente tamanha à originalidade da idéia; construir imagens dos catadores com o próprio lixo. Alguns chegaram a viajar para Londres para acompanhar o leilão das obras, todo revertido para a associação dos catadores, uma classe de indivíduos ignorada pela sociedade, quando não diferenciada. Gente simples, com sangue nas veias e uma dura realidade para trilhar; a de catar lixo para sobreviver economicamente. Apesar da dura realidade que vivem os catadores, impressionam pela humildade; trazem uma lição de amor e responsabilidade. Às vezes a revolta; e quem não teria um tiquinho catando lixo? É um tapa na cara, uma dor no peito, uma coceira na cabeça, um choro sentido. Uma luz no fim do túnel, uma inspiração certeira, uma voz de esperança. Wasteland permeia luz em meio às camadas escuras do entulhado ego humano, que cego pela a ilusão de que quem precisa de ajuda é apenas o 'pobre do catador' quando somos nós, os letrados, quem precisamos educar nossa consciência à saber para onde nosso lixo vai. Wasteland é um estraordinário contraste entre a arrogância dos 'limpos' e a pureza dos indivíduos que habitam o lixo.

12 de abr. de 2012

The sweet vibes of inspiration

When life inspires is like a flame lit inside. It's like the wind when it blows joyfully on the face, moving through the hair. It's like admiring the beauty of an open rose. It makes one feel united with something bigger than oneself. Sometimes, it is simple like water on the skin, or the sun heat when it permeates one's skin layers until reaching the soul. It's a moment that belongs only to you, and yet it is shared with the world. When life inspires it is a moment one looks at oneself and see the universe inside. 


Quando a vida inspira é como se uma chama se acendesse por dentro. Como o vento quando sopra alegre no rosto, movendo-se pelos os cabelos. É como olhar para a beleza de uma rosa aberta. Faz sentir união com algo maior. Às vezes, é simples como a água na pele, ou apenas como os raios do sol quando permeiam a pele até atingir a alma. É um momento que só pertence a você, e ainda assim é compartilhado com o mundo. Quando a vida inspira olhamos para nós mesmos, e vemos ali o universo inteiro. 

9 de abr. de 2012

A mitologia de Deus


Deus é apenas uma idéia para aqueles que insistem em reduzi-Lo(a) a um jogo de lógica com regras lineares. Um sentimento para aqueles que se lembram D'Ele(a) quando se acham sozinhos. Um caminho perigoso para os que tem medo do desconhecido, ou apenas uma palavra para aqueles que O(a) querem entender, assim como foi com o Cristo quando falava de Ágape e sua própria experiência de filiação com o seu Deus.

Cada vez mais eu sinto que a melhor forma de se relacionar com Deus é se permitindo viver com gosto, porque Deus é vida! Viver, Deus, é algo tão sutil e ao mesmo tempo intenso, interno, externo e eterno. Nos desperta os olhos da alma para nossos condicionamentos; para que, em verdade, tenhamos consciência daquilo que de fato nos faz sentir parte de algo maior e coletivo. Assim como Maria de Nazaré, que gerou seu milagre por crer no anjo mensageiro; o invisível que se fez visível dentro da mulher através da conexão com outro espírito. 

A mitologia de Deus, que de tão simples, parece complicada. A resposta se mostra a cada momento: na constância dos exemplos de fé daqueles que transcendem seus medos e desafios, legando exemplos de bondade. Das flores que se abrem apesar do mau tempo e dos espinhos; do planeta que é nossa maior fonte de vida orgânica. Da natureza e seu show mágico, dos astros que solitários brilham em órbitas longícuas. Da consciência, de que daqui nada levaremos a não ser, a nós mesmos.

O contexto histórico mostra que Deus é único para cada ser humano, que de forma particular recebe e dá à vida. Por isso não duvido de que o Amor é o único sentimento capaz de levar o coração humano a  perceber a Deus, de forma coletiva. Não existe um Deus, mas todos em um só. Se Deus é Amor, o Amor é Deus.

30 de mar. de 2012

Sem Amor nada vale


Amar é como viver um novo capítulo do livro da vida, dia após dia. Quando não há Amor a história é repetitiva e entediante, cansativa e enfadonha. A história deixa de ensinar, de expandir os horizontes. As entrelinhas se calam; o que era mágico se torna banal. Mas o Amor a tudo transforma e enobrece. Quando há Amor a história inspira o leitor e alegra quem a escreveu; não importa quão difícil o caminho pareça. O Amor faz brotar flores entre pedras, água em terra seca, consolo na tristeza; faz valer a pena e sem ele nada tem valor, nem mesmo a mais preciosa das pérolas.

22 de mar. de 2012

Estações da vida


Os ciclos de tranformação pelo qual passamos ao longo de nossas vidas em muito se assemelham aos ciclos de transformação das plantas, com a exceção de que não aceitamos certas coisas tão facilmente, como as plantas aceitam. As raízes nutrem e impulsionam o caule para fora, fazendo-o crescer; as folhas captam a energia necessária para transformação e síntese de nutrientes. No fruto, se replica, emana. Mas existe um tempo em que o fruto perde a cor, o gosto, a forma; é comido por insetos. Nesse tempo o fruto precisa cair. Então ele retornará à terra para se (de)compor.

As plantas não olham para traz. Seguem seu ciclo de vida, quase que com a certeza de que está tudo absolutamente certo. Nós, seres humanos, analisamos, ponderamos e decidimos se queremos ir para direita ou para esquerda; ficar parado ou agir. A gente sente quando poderia ter feito mais, se dado mais ou de menos para determinadas situações. Que benção tal faculdade! Contudo, não basta apenas ser consciente do nosso poder de escolha. É preciso trabalho para que haja síntese de sentimentos destinados à nutrição da alma. Também, tão importante quanto a síntese de nutrientes é saber o tempo certo de deixar o fruto podre cair na terra, sem dramas; fruto estragado, se não cai para alimentar a terra, atrai aves de rapina e contamina o resto.

Uma estação nada mais é que um perene de fenômenos que logo - devido à constância da vida - se transformará novamente; e assim como chega para as plantas chega para nós também. Idéias que outrora fruto agora precisam cair, para que algo novo nasça; como talentos deixados de lado, clareza para decisões não tomadas, coragem para atitudes adiadas. O tempo de despir-se do velho, de deixar o fruto podre cair na terra, e permitir que o coração seja o guia chega, a cada respiração, para todos. E tudo aquilo que deixarmos ser levado embora abrirá espaço para mais um novo ciclo de renovação que irá realimentar e florir nossa alma.

Texto publicado no jornal Brazilian News, o jornal da comunidade brasileira em Londres, nº533,  edição 2 a 8 de Agosto de 2012 pág.18.