24 de jul de 2012

Comece pequeno


A sociedade é uma teia de conexões, governada por todos aqueles que têm poder - todos. Não se pode, nem se deve, discutir ou analisar qualquer estrutura social desconsiderando as relações de poder. Poder, seja ele legitimado ou não,  na maioria das vezes, envolverá processos onde o interesse de uns será favorecido sobre o de outros, onde muitas vezes o infortúnio será perpetuado. Essas relações se manifestam não só na política mas no ambiente profissional, dentro de nossas próprias casas, dentro de nós mesmos. O poder se manifesta na sociedade como relação dominante, em interação com o ambiente em que estamos integrados. Na verdade, é nossa vontade (livre arbítrio) quem o pratica. Se bem nos lembrarmos, esse foi o primeiro 'direito', de acordo com várias escrituras sagradas, ofertado por Deus ao homem. 

Muitas pessoas pensam que o poder é um problema, e que deve ser abolido. Acontece que ignorar essa qualidade é fragmentar a alma humana, tanto essas relações representam para nossa natureza. O poder não é o problema, o problema é como fazemos uso dele no dia-a-dia. Todo mundo tem uma quantidade de poder (energia) nas mãos: seja para fazer bem ou mau. Talvez, antes de esquecer a capacidade de usar nossa preciosa energia deveríamos entender como usá-la melhor. Aqui, chegamos ao velho paradoxo político  de "quem deve  se beneficiar nessas relações?" Um ponto de partida para responder essa pergunta seria mudar o padrão de mente para “aqueles que precisam mais". Mas se fizermos isso, chegamos ao dilema de “como julgar com justiça quem são os mais necessitados?” Neste momento, quando me sinto tão pequena frente a essas grandes questões me volto para aqueles perto do coração, e começo pequeno.

Infelizmente, ainda não há evidências empíricas sobre como começar pequeno, mas a experiência de gente como toda a gente; que questiona a si mesmo, e ao sistema, no intuito de descobrirem quem são de verdade, e se estão fazendo aquilo que realmente deveriam com a energia que possuem nas mãos. Gente que apesar dos grandes obstáculos, das perdas e da injustiça não perde a fé, nem a coragem de acreditar que o poder que cada um de nós possui, independente do status de grande ou pequeno, pode ser usado de forma sábia.  

Texto publicado no jornal Brazilian News, o jornal da comunidade brasileira em Londres, nº532 edição 26 de julho a 1º de Agosto de 2012, pág.18. 

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